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     02/07/2022            
 
 
    

No final de fevereiro, diziam as notícias na TV e jornais que o etanol vendido em nossos postos de combustíveis só tinha preços vantajosos para donos de veículos em quatro Estados brasileiros; nos demais, era menos vantajoso que o da gasolina. Nas distribuidoras, a gasolina estava sendo vendida a preços inferiores àquele que está custando a importação.

A produção de etanol combustível, na verdade, caiu por causa do atrelamento de seus preços de venda aos preços dos derivados de petróleo importado – no desejo de impedir que uma alta se refletisse nos índices de inflação. Mas é um caminho que pode ter consequências indesejadas, também para o setor de biogás, que não deveria ter de acompanhar as regras vigentes para os derivados e não ser inibido em sua expansão, que é desejável para o país. As cadeias produtoras de biogás e biocombustíveis (etanol e biodiesel) não precisam ter freios ditados pela área do petróleo.

O futuro próximo, em todo o mundo, está na área das energias renováveis, segundo a Agência Internacional que as contabiliza. As energias de fontes hídricas, eólicas, solares, das biomassas e outras crescerão 80% na demanda na área nos próximos 20 anos. E o Brasil pode chegar a 55% de fontes renováveis na geração de energia até 2030.

Até 2025 o mundo consumirá 15% menos de petróleo e 12% menos de carvão. E para não ter de aumentar ainda mais o consumo de gás (estimado em 11%) e de energia nuclear (mais 25%), terá de ampliar as fontes de bioenergia, hídrica e outras, que o “World Energy Outlook” hoje estima passarem de 13,1% da matriz energética para 17,59%. No Brasil a participação do petróleo e derivados cairá 10%, assim como a do carvão, mas crescerá a do gás (40%) e a do urânio (15%). Segundo analistas, a participação de derivados da cana-de-açúcar e outras energias renováveis mal chegará a compensar a redução da participação da energia hídrica na matriz, assim como do carvão vegetal.

Nesse panorama, seria conveniente não desestimular a geração por fontes da biomassa, do biogás e outras. Não desperdiçar energia eólica, como acontece ao não se completarem linhas de transmissão para usinas já implantadas. Energias mais baratas das renováveis também poderão contribuir para o combate à inflação – ao reduzir, por exemplo, a participação das termelétricas, cuja energia é algumas vezes mais cara. O Brasil, por essa e outras razões, tem a 11.a tarifa de energia mais cara no mundo, segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Mas o investimento em renováveis no país em 2013 caiu para US$3,4 bilhões, quando chegara a US$7,1 bilhões no ano anterior.

Uma das sugestões do setor sucroalcooleiro está em aumentar a participação do etanol anidro misturado à gasolina, dos atuais 25% para 27,5% ainda neste ano – o que permitiria reduzir a importação de petróleo e aumentaria o consumo de biocombustível (proposta que está sendo analisada pelos fabricantes de veículos). O etanol - área em que o Brasil foi pioneiro com o Proálcool - perdeu competitividade com as políticas de preços e estímulos ao petróleo importado e de produção interna. E para a safra 2014/15 a estimativa de produção de cana-de-açúcar é menor que a anterior.

É preciso reiterar sempre que são muitas as vantagens para o país com a geração de energia por biomassas – menor emissão de poluentes no transporte e outros setores (com influência decisiva nas mudanças climáticas), geração de empregos na zona rural, disponibilização de energia para regiões de baixa renda ou isoladas. Essa é uma área em que também são patentes as vantagens da microgeração de energia partir do biogás proveniente de dejetos animais – como já se comentou em edições anteriores desta newsletter.

Tudo isso deve levar a uma reflexão que possa conduzir ao fim das distorções que hoje impedem o crescimento da participação das energias derivadas das biomassas em nossa matriz energética – contrariando o que recomendam tantos estudos no mundo.

Artigo originalmente publicado em 24/3/2014

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