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O uso de inoculantes de nitrogênio nas sementes de soja já é uma prática comum entre os produtores brasileiros. A cultura é muito exigente em nitrogênio e precisa de grandes quantidades do nutriente para se desenvolver. As bactérias fixadoras de nitrogênio que são introduzidas melhoram a produtividade da soja, sem impacto ambiental e com redução de custos. Atualmente, não é mais viável utilizar fertilizantes químicos minerais como a ureia para adubar a cultura. Isto já está amplamente disseminado entre os produtores. O que muitos ainda não sabem é que a reinoculação, ou seja, a aplicação dos inoculantes em toda nova safra, aumenta ainda mais a produtividade do grão. Estudos da Embrapa Agropecuária Oeste mostram que essa melhora de produtividade varia de 4% a 9%, dependendo da região.

— Para se ter uma ideia, se fôssemos utilizar fertilizante químico nitrogenado na cultura da soja no Brasil seria praticamente inviável economicamente, uma vez que a necessidade para se ter uma produtividade de três mil quilos por hectare é necessário mais de uma tonelada de ureia. Isto tem um custo econômico muito alto e um custo ambiental elevado também, porque as formas nitrogenadas podem ser lixiviadas para o lençol freático e trazer problemas para saúde humana. O Brasil é um país muito bem sucedido com esta prática da inoculação nas sementes de soja. Os ganhos com a inoculação de sementes geram para o Brasil anualmente, em cada safra, uma economia de cerca de US$ 6 bilhões. É o que o País deixa de gastar com nitrogênio químico mineral, que é 100% dispensável — enumera o pesquisador Fábio Martins Mercante, da Embrapa Agropecuária Oeste.
Mercante esclarece que, embora visualmente a soja não apresente nenhum sintoma de deficiência em relação ao nitrogênio, mesmo assim a reinoculação é recomendada. Dados na Região Sul e Centro-Oeste mostram incrementos em média de 4,5% a 8%. No Estado do Mato Grosso do Sul, especificamente, uma avaliação das dez últimas safras de soja (de 2000/01 até a safra 2009/10) mostrou ganho médio de 9,1% na produtividade em relação às plantas que não foram inoculadas ao longo das safras. No caso de uma área de primeiro cultivo de soja, o uso de inoculantes é essencial. Sem ele, a planta não terá nitrogênio suficiente para se desenvolver e a produtividade será muito baixa porque os solos brasileiros não têm a presença da bactéria fixadora de nitrogênio. O pesquisador diz até que em caso de primeiro cultivo a dose de inoculante pode ser dobrada para garantir um bom desenvolvimento da soja.
Para que a ação do inoculante seja a melhor possível, o produtor deve tomar alguns cuidados. A aplicação deve ser feita no dia em que a semente será plantada e não deve ser misturada a nenhum outro tipo de substância. No caso do agricultor querer usar fungicidas ou aplicar micronutrientes como cobalto e molibdênio, o inoculante deve ser acrescentado separadamente ao final de todos os processos. O inoculante pode ser aplicado na forma líquida ou turfosa. No caso da utilização do inoculante turfoso, o pesquisador explica que é preciso misturar uma substância adesiva que pode ser uma solução açucarada preparada pelo próprio produtor.
— É importante a gente observar que existem outros fatores nutricionais e ambientais que também devem ser considerados para potencializar os benefícios do uso dos inoculantes microbianos na cultura da soja, entre eles a demanda de fósforo e cálcio que podem afetar o crescimento da planta. O manejo da cultura pode ser usado à favor da interação da planta com a bactéria fixadora de nitrogênio. No caso do manejo conservacionista, como o Plantio Direto, a bactéria é beneficiada pela maior umidade do solo. Além disso, a palhada forma uma camada de resíduos na superfícies, evitando que os raios solares atinjam as bactérias e comprometam o seu trabalho — explica Mercante.

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