UFV enriquece alimentação de codornas e produz ovos com ômega 3

Até então, ômega 3 era encontrado apenas em algas e animais marinhos e em alguns óleos de origem vegetal, como linhaça e canola

UFV
Nutrição Animal

Conhecido como gordura boa e indispensável na alimentação, o ômega 3 atua na prevenção de diversas doenças e é considerado essencial para o bom funcionamento do organismo. O problema é que, até então, ele era encontrado apenas em algas e animais marinhos e em alguns óleos de origem vegetal, como linhaça e canola. Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa desenvolveu tecnologia para acrescentar ômega 3 aos ovos de codornas.

A técnica faz parte do doutorado da pesquisadora Michele de Oliveira Mendonça e consiste em enriquecer a alimentação de codornas com óleos de linhaça, de canola e de peixe na ração. Dessa forma, os ovos postos a partir desse tratamento terão em sua composição o ácido linolênico (ômega 3). Esse é um grande passo, pois, como explica Michele, “naturalmente o ovo é pobre em ômega 3 e os produtos considerados fontes deste ácido não são comumente utilizados em dietas humanas, por isso, é interessante enriquecer produtos de origem animal por meio da suplementação de rações com fontes ricas em ômega 3”.

Os ovos dessas codornas tratadas apresentam aumento da intensidade da cor amarela na gema, mas nenhuma alteração sensorial. Michele relata que em pesquisas realizadas com galinhas, notou-se que os ovos enriquecidos apresentavam odor e sabor semelhantes aos de peixe, o que não acontece com os ovos de codornas. Para testar o paladar, a pesquisadora ofereceu ovos tratados com ômega 3 a 233 pessoas e apenas um julgador relatou ter sentido gosto de peixe no ovo que foi tratado com óleo de linhaça. Nenhum deles rejeitou o produto.

A pesquisadora afirma que escolheu as codornas por causa do grande crescimento da criação dessas aves e pelo aumento do consumo dos ovos pela população brasileira. Michele ressalta que, apesar de ainda não ter sido feita uma avaliação de custos para implementação em grande escala, é um investimento possível, pois “não há obstáculo na adoção desta prática comercialmente, pois já é comum a utilização do óleo de soja na composição de rações para aves. O que seria feito então, é substituir o óleo de soja pelo óleo de linhaça que, além de tudo, apresenta custo menor em comparação com as demais fontes”.

Vale lembrar que tão importante quanto o consumo de ômega 3 é a ingestão de ômega 6 pelo homem, que pode ser encontrado principalmente em óleos de sementes de girassol. Apesar da semelhança no nome, os dois tipos de ácidos graxos desempenham funções opostas no organismo (ômega 6 a pró-inflamatória e o ômega 3, anti-inflamatória), sendo necessário o seu balanço adequado na dieta. A pesquisadora reforça ainda que as dietas com ômega 3 evitam doenças cardíacas como arritmias, geração de substâncias, ações anti-inflamatórias, além de atuarem na prevenção e tratamento da síndrome metabólica, uma doença que apresenta um conjunto de sintomas como a obesidade visceral, a resistência à insulina, pressão arterial elevada, dislipidemia associado ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doença cardiovascular, cirrose hepática não alcoólica e alguns tipos de câncer.