Três novas variedades de feijão caupi desenvolvidas pela Embrapa Semiárido acabam de ser divulgadas e prometem multiplicar as opções dos produtores rurais de regiões como o Sertão da Bahia, Limoeiro do Norte no Ceará, Pernambuco e Piauí. As variedades chamadas BRS Tapaihum e BRS Carijó apresentam tolerância às principais viroses da cultura, como o mosaico dourado, mosaico severo e potyvirus. Já a BRS Acauã pertence ao grupo canapu, muito procurado pelos consumidores. No entanto, as três variedades contam com ciclo precoce e produtividade média que pode chegar a 2000kg por hectare.
Segundo Carlos Antonio Fernandes, pesquisador da Embrapa Semiárido, o BRS Tapaihum é uma cultivar de feijão caupi que apresenta características como hábito de crescimento determinado e porte ereto, semelhante a uma planta de soja.
— Ela também é precoce, com primeira colheita em torno de 60 e 65 dias e apresenta tolerância às principais viroses da cultura, como o mosaico dourado, mosaico severo e potyvirus. Essa cultivar de revestimento preto pode ser uma boa opção para feijoada — afirma o pesquisador.
Já a BRS Carijó, de acordo com ele, pertence ao grupo fradinho, que apresenta o tegumento branco e o olho preto. É um feijão muito popular na área do recôncavo da Bahia e, assim como o BRS Tapaihum, é uma cultivar de crescimento determinado, com ciclo em torno de 60 e 65 dias e conta com boa tolerância ao mosaico dourado, mosaico severo e potyvirus.
— A BRS Acauã pertence ao grupo canapu, muito procurado pelos consumidores. No entanto, esse feijão é muito suscetível a viroses, principalmente ao mosaico dourado. Existem áreas de plantio onde a perda pode chegar a quase 100%. Ele é um grão mais arredondado e possui cor mais persistente. O porte dele é semi-ramador e seu crescimento é indeterminado. Já o ciclo, também gira em torno de 60 e 65 dias — conta Fernandes.
O pesquisador explica que as regiões de registro dessas cultivares, segundo o Ministério da Agricultura, são o Sertão da Bahia, Limoeiro do Norte no Ceará, Pernambuco e Piauí, tanto em áreas irrigadas, como em áreas que dependem de chuva. No entanto, os produtores que quiserem testá-las em outras regiões precisam ter um pouco de cautela e plantar, primeiramente, em uma pequena área para verificar seu comportamento.
— Em áreas irrigadas, no segundo semestre, essas variedades atingem em torno de 1500 kg por hectare. Em áreas de sequeiro, no primeiro semestre do ano, a produtividade média gira em torno de 1000 kg. Existem relatos de propriedades onde essas variedades chegaram a produzir 2000 kg por hectare. Esses experimentos foram realizados sem nenhum tipo de adubação, seja mineral ou orgânica — diz.
Fernandes conta ainda que, entre os cuidados especiais, deve-se manter o feijão limpo, ou seja, livre de plantas daninhas. Ele afirma também que, normalmente, deve ser feita uma capina manual ou duas, no máximo. Além disso, também são feitas uma ou duas pulverizações no início do cultivo, caso haja algum ataque de pulgão, e no período da colheita, como forma de prevenir o surgimento de caruncho.
— O BRS Tapaihum e o BRS Carijó também podem ser uma boa opção para a colheita mecânica ou semi-mecânica em várias regiões do Brasil. Isso porque o mais difícil em um feijão de corda é a manutenção do porte ereto e o crescimento determinado, o que já obtivemos com essas variedades — diz.
Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Semiárido através do número (87) 3862-1711.
