Soja com sabor mais suave

Epamig cria duas cultivares compatíveis com o paladar brasileiro que dispensam o uso de aditivos químicos para suavização

Juliana Royo
Sementes e Mudas

O brasileiro está muito acostumado ao consumo de feijão, mas a soja, apesar de ser muito nutritiva, é rejeitada pelo seu intenso sabor que não se adequa ao padrão do paladar brasileiro. Com o objetivo de fazer com que a soja caia no gosto popular, a Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) está desenvolvendo duas cultivares de sabor suave. A BRSMG 790A e a BRSMG 800A possuem as mesmas características agronômicas do que a cultivar Conquista, muito utilizada pelos produtores. Ela não apresenta nenhum diferencial nos cuidados de manejo da cultura e tem produtividade média de 3 mil quilos por hectare. O que vai mudar é o posicionamento de mercado do produto, que vai fazer com que o agricultor consiga vender a soja por um preço mais elevado.

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— Desenvolvemos estas cultivares para tentar agradar ao paladar brasileiro porque a gente não é acostumado ao sabor da soja como os orientais são. Os produtores podem atingir um mercado diferenciado e podem vender esta soja com um valor superior porque vai ter um rótulo dizendo que esta soja é diferenciada para alimentação. Já estamos fazendo um estudo de mercado para saber como será esta marca e de que forma será feita a comercialização. A parte agronômica não muda, a condução da lavoura é normal. Ela tem uma característica que é semiprecocidade e isso diminui a incidência da ferrugem que é um problema sério nas lavouras de soja. Temos 16 produtores associados que estão multiplicando as sementes e finalizando os estudos de mercado para lançamento ano que vem. A partir dessa semana vamos fazer um estudo da aceitabilidade destas cultivares no preparo com o feijão em um supermercado local. Cerca de 3 mil pessoas vão avaliar este produto — explica a pesquisadora da Epamig Ana Cristina Juhaf.

A BRSMG 790A possui coloração amarelo, mas tem o ilo claro para formar um bom aspecto visual,diferentemente das cultivares tradicionais que possuem o ilo escuro. Ela pode ser plantada no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Já a BRSMG 800A é marrom e também possui ilo claro. Por enquanto, essa cultivar só é recomendada para o Estado de Minas Gerais. A letra A ao final da identificação significa que elas são cultivares desenvolvidas especialmente para a alimentação humana. Além do sabor, os pesquisadores acrescentaram outras características benéficas para o consumo. A soja, normalmente, já tem o dobro de proteínas do que o feijão. Mas estas duas cultivares possuem teores de proteínas ainda maiores beneficiando a nutrição. Elas também possuem mais fibras e teor de isoflavona e de carboidratos mais altos. Outro diferencial é que ela possui um tempo de cozimento bem menor do que a maioria das cultivares.

— Uma questão muito importante é que o extrato de soja que a gente consome no mercado tem muito aditivo químico para mascarar o sabor desagradável da Conquista, que é a cultivar normalmente utilizada pela indústria. Essas duas novas cultivares de soja têm um sabor tão mais suave que a simples adição de um suco para formar o extrato torna o sabor agradável. Se as indústrias começarem a utilizar esta soja elas terão um gasto menor e vão produzir um alimento de melhor qualidade. Vamos testar também a mistura da nova soja marrom com o feijão na proporção de 70% de grão de soja com 30% de feijão batido na forma de caldo porque a soja não forma caldo pela ausência de amido. Essa mistura com o caldo vai atrair o consumidor pelo fator visual — destaca a pesquisadora.