Safra Zero racionaliza custos nas lavouras cafeeiras do sul de MG

Fundação Procafé analisa sistema de manejo bienal de colheita

Nivea Schunk
Manejo

Nos últimos seis anos, pesquisas para controlar as variáveis necessárias à implantação do “Safra Zero” vem sendo desenvolvidas principalmente nos cafezais da região montanhosa do sul de Minas Gerais. Considerando a bienalidade produtiva do cafeeiro, o sistema de manejo adota ciclos de podas entre as safras, colhendo a cada dois anos. O viés da análise implementada pela Fundação Procafé é identificar variedades, espaçamentos, adubos e tratos fitossanitários que atendam adequadamente a esse modelo de produção.

Com a grande quantidade de material vegetal oriundo da poda de limpeza, toneladas de matéria seca promovem a ciclagem de nutrientes no solo. Segundo o pesquisador André Luiz Garcia, a expectativa é que em alguns anos, a redução de custos com a onerosa operação de colheita se estenda ao uso de fertilizantes. A biologia enriquecida do solo viabilizará um modelo cíclico mais sustentável ambientalmente.

— O café tem a caraterística de intercalar anos muito produtivos com safras de pouca expressão. Então, para os cafeicultores é preferível não produzir nesses anos. A inviabilidade econômica da colheita anual incentivou a mudança do sistema  — diz  ele.

Além de confirmar a melhor alternativa para os intervalos de colheita, os experimentos também abordam produtos de solo com efeito potencializador, altura do decote realizado, corte apical e dos ramos laterais da planta, distância de corte dos ramos em relação ao eixo e combinação de dosagem de nitrogênio.

— Temos chegado à conclusão que o sistema safra zero é tecnificado. O produtor deve respeitar a sequência das operações, porque apenas uma prática perdida pode comprometer toda a produtividade da safra — comenta.

Garcia explica que as observações dos diferentes aspectos do "Safra Zero" constatam que o sistema de poda não aumenta a produtividade média do cafeeiro, porém otimiza e racionaliza tratos culturais.

 "O produtor deve
 respeitar a
 sequência das
 operações"


 André Luiz Garcia,
 da Fundação Procafé

— A adoção do método precisa da supervisão de um engenheiro agrônomo e um cálculo exato da probabilidade de produção do cafezal. É importante lembrar que ao invés do sistema Safra Zero corrigir lavouras, o sucesso da sua implantação depende completamente do equilíbrio dessas plantações — ressalta ele.