Químicos não funcionam para vírus da banana

Nutrição reforçada, mudas sadias e plantio longe de áreas de culturas hospedeiras são os cuidados contra o mosaico e as estrias da bananeira

Juliana Royo
Manejo

Existem dois principais vírus que atacam a cultura da bananeira: o mosaico, conhecido como CMV, e o vírus das estrias, também chamado de BSV. Ambos causam danos sérios à planta da banana, reduzem a produtividade e o tamanho da fruta. Em casos mais graves, onde a infecção já é muito grande, o quadro pode evoluir para uma necrose e a planta morrer. As formas de controle são delicadas e não existem produtos químicos que consigam controlar os vírus. Por isso, os cuidados de manejo são essenciais. As principais medidas preventivas são o plantio de muda sadias, nutrição bem equilibrada e boa irrigação, além de evitar instalar o bananal em áreas próximas a outros cultivos hospedeiros dos vírus, principalmente hortaliças, cacau, milho, citros e feijão.

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— O estado de nutrição da planta e a temperatura ambiente são fatores que influenciam na planta e na resposta da planta ao vírus. Se você tiver um planta infectada com vírus das estrias e você der uma boa nutrição e irrigação você pode deixar os sintomas bem mais fracos. Para ela não ser infectada é preciso que o produtor tome muito cuidado com o que está em volta da plantação. Não existe produto químico que controle vírus, o máximo que se pode tentar fazer é controlar o inseto vetor com inseticidas. No caso do vírus mosaico, o químico não funciona porque o inseto vetor vem de fora do plantio e a transmissão é muito rápida. No caso do vírus das estrias, o químico tem algum efeito na cochonilha porque a transmissão do vírus é mais lenta — esclarece Paulo Ernesto Meisser Filho, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e professor em metodologia agrícola da Universidade Federal do Recôncavo Baiano.

O plantio de mudas sadias é fundamental, mas não é suficiente. Não adianta o produtor comprar a muda sadia e instalar a planta em uma área com plantas daninhas e não realizar o manejo adequado. Uma recomendação do pesquisador é deixar o material muito novo protegido com tela para evitar que os insetos cheguem até a nova muda. Os produtores só devem plantar o material no campo quando ela estiver mais endurecida e com cerca de 0,5 m de altura. Com essa altura a planta já está um pouco mais resistente ao ataque dos vírus.

— No campo, pode acontecer dos dois vírus estarem juntos. Você pode ter os dois na mesma planta assim como pode ter outras doenças e pragas na mesma planta. A presença de um patógeno não exclui os outros. No caso do BSV, que é o vírus das estrias, as folhas apresentam estrias amareladas que com o passar do tempo ficam necrosadas e pretas. Já o mosaico, o mais normal é você ter variação de cor nas folhas. O vírus se chama mosaico pela mistura de cores na folha. Se a região tiver temperaturas mais baixas pode ocorrer também a necrose das folhas velhas. No caso do mosaico, a recomendação para as plantas infectadas é a erradicação, mas para o vírus das estrias o produtor pode dar uma boa nutrição e irrigação que ela consegue se manter, dependendo do nível de doença — ressalta Meissner.