Polpa do palmito é alternativa de renda no litoral do Paraná

Iapar e associação de produtores juntos na transformação do fruto da palmeira jussara em polpa

Nivea Schunk
Manejo

A implementação de tecnologia para produção e processamento de frutos da palmeira jussara, no litoral Paranaense, é o viés da parceria entre o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e a Associação de Pequenos Produtores Rurais e Artesanais de Antonina (ASPRAN). Além da coordenação do processamento de polpa de derivados e co-produtos, a iniciativa visa também à produção de matéria-prima em sistema agro-florestal e à administração do negócio.

Com o intuito de substituir a exploração predatória do palmito, a associação começou a extrair a polpa do fruto nos últimos anos, adaptando a manipulação praticada com a palmeira açaí em comunidades do norte brasileiro. A pesquisadora Maria Eliane Durigan esclarece que o sistema permite o replantio de sementes que sobram.

— As unidades de processamento recebem os frutos, que são selecionados, limpos e pesados. Depois vem a higienização com cloro para serem postas em água morna por cerca de 15 minutos. Feita a maceração, o material passa pela despolpadeira, é peneirado e finalmente embalado e congelado — explica ela.

Ainda em fase de avaliação sobre rendimento e qualidade da colheita, a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) está observando parâmetros físicos, químicos e nutricionais da polpa. Segundo Paulo Chaimsohn, membro da equipe do Iapar, o refino dessa tecnologia tem proporcionado ganhos de conhecimento, uma vez que a produção saltou de 400 quilos para quatro toneladas ao ano.

— O aumento foi muito significativo. O objetivo é contribuir para a melhoria do processo, que é importante tanto do ponto de vista ambiental quanto social. A conservação da jussara é fundamental para garantir uma alternativa de renda aos pequenos produtores da região — ressalta o pesquisador.