A parceria dos países latinoamericanos em ciência acaba de render mais um fruto. Os pesquisadores Martin Zumarraga, Mariana Viale, Angel Cataldi, Maria Isabel Romano e Fabiana Bigi do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA-Argentina), Ana Maria Zarraga da Universidade Austral de Chile e Flábio Ribeiro Araújo da Embrapa (Brasil) publicaram um artigo científico sobre a genômica de micobactérias no caderno temático “A genômica de patógenos e suas possibilidades de aplicações”, na revista oficial da Organização Mundial para Saúde Animal (OIE), volume 35/2016.
Na publicação, os cientistas relatam a contribuição da genômica nos estudos de evolução, virulência, epidemiologia e diagnóstico de micobactérias. O gênero Mycobacterium engloba agentes patógenos que causam graves enfermidades, como a tuberculose, em especial, o M. bovis, importante para a saúde pública pela possibilidade de infectar também humanos. “Devido a este último ponto e ao impacto da tuberculose e paratuberculose na produção animal houve um avanço significativo em conhecimento dos agentes patógenos e a interação com seus hospedeiros”, afirma o bioquímico do INTA Zumarraga.
Entre os avanços, Martin Zumarraga e Flábio Ribeiro destacam o sequenciamento dos genomas de micobactérias patógenas, considerado um divisor nos estudos. Outro destaque apontado por eles e presente no artigo é a etapa anterior ao sequenciamento, na qual se desenhou as bases evolutivas do gênero Mycobacterium e se decifrou os principais mecanismos de virulência das espécies patógenas. O imunologista da Embrapa Flábio Ribeiro explica que o sequenciamento é uma ferramenta que abre a pesquisa para uma série de oportunidades, como avaliar a diversidade de isolados em diferentes partes do mundo, sob a ótica de mercado; e avaliar a persistência de um foco de tuberculose em determinada região.
As equipes dos dois pesquisadores trabalham juntas em várias linhas de pesquisa relacionadas à tuberculose bovina. A genômica está diretamente ligada ao desenvolvimento de métodos de diagnóstico molecular. O estudo filogenético de isolados do Brasil, Argentina e Estados Unidos também é foco dos cientistas, que auxilia no conhecimento pleno da epidemiologia da doença.
Revista
O compêndio da OIE reuniu os pontos de vista de cientistas de diversos países sobre as possibilidades de aplicação das técnicas de sequenciamento a biologia das infecções. Ao todo são 19 artigos, divididos em três temas, com participações científicas de países como os Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Emirados Árabes. A América Latina é representada nesse artigo dos pesquisadores, inédito na vida acadêmica dos sete especialistas. Esta edição é de responsabilidade editorial dos renomados pesquisadores Pablo Murcia, Massimo Palmarini e Sándor Belák.
A OIE foi criada em 1924 com o objetivo de combater as enfermidades animais. Para isso, a Organização define diretrizes, com embasamento científico, que garantam o fornecimento seguro de alimentos de origem animal. Para os países membros, como Brasil, Argentina e Chile, e suas respectivas instituições de pesquisa, a efetiva participação na entidade representa um reconhecimento por parte da OIE e, por consequência, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reconhece as normas elaboradas pela OIE.
Pesquisadores latinos publicam artigo sobre genômica de micobactérias em revista da OIE
Cientistas relatam a contribuição da genômica nos estudos de evolução, virulência, epidemiologia e diagnóstico de micobactérias
Dalízia Aguiar, Embrapa Gado de Corte
Sanidade Animal