Pesquisa mostra que é possível ter produtividade com ovelhas nativas do Pantanal

A fim de tornar a ovinocultura mais atrativa na região, pesquisas de melhoramento genético do rebanho pantaneiro

Aline Jesus
Reprodução Animal

Em todo o País, a ovinocultura vem se expandindo. A atividade ganha força, inclusive, no Pantanal sul-mato-grossense, onde predomina a ovelha crioula ou ovelha nativa do Pantanal. A fim de impulsionar a ovinocultura, tornando-a mais atrativa na região, a Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP), com colaboração da Embrapa Caprinos e Ovinos, realiza pesquisas no campo do melhoramento genético. A meta dos pesquisadores participantes é avaliar qual a eficiência reprodutiva desses animais em estações de montas pré-definidas ao longo do ano e verificar sua perfomance produtiva.

A realização do experimento ocorre no próprio Centro Tecnológico de Ovinocultura (CTO) da universidade, sendo intitulada como “Aspectos produtivos reprodutivos e sanitários de ovinos em Mato Grosso do Sul”. Segundo o pesquisador Fernando Reis, da Embrapa Caprinos e Ovinos, durante um período de 45 a 60 dias, as matrizes sem raça definidas (SRD) nativas do Pantanal ficam nas estações de monta em sincronização de cio para serem acasaladas com três tipos de reprodutores: texel, santa inês e raças nativas do próprio Pantanal. O desenvolvimento dos animais resultantes desses cruzamentos são desde o parto até seu abate:

— Avaliamos qual o potencial reprodutivo da ovelha nativa, e também como seria o comportamento das crias em termos de desempenho de produção até a qualidade de carne de vinda dessas matrizes — completa.

A pesquisa aponta que os cruzamentos têm apresentado resultados satisfatórios. Reis avalia que a raça texel é mais indicada para a produção de carne. As matrizes atingiram a idade do abate antes das demais, além de apresentarem o ciclo mais curto de desenvolvimento. O pesquisador explica ainda que é a rusticidade dos animais nativos fala em favor de sua preservação. Características de reprodução e baixa necessidade de vermifugação ao longo do ano, são pontos muito positivos de sua genética. Segundo ele, a ovelha nativa não apresenta estacionalidade reprodutiva ao longo do ano:

— Seu ciclo é considerado normal mesmo estando em baixo escore produtivo, o que se torna uma vantagem para quem visa ampliação do plantel, assim como quem almeja ter animais ao longo do ano para se comercializar.

Por outro lado, em termos de desempenho, Reis afirma que são animais mais magros por não possuírem toda a cobertura muscular, o que dificulta a obtenção de uma boa carcaça. Questionado sobre futuros programas de melhoramento animal para obtenção de carne e ampliação dos plantéis, o pesquisador se mostra otimista:

— A ovelha nativa ainda não é caracterizada como uma raça. Com a aprovação da Associação Brasileira dos Criadores, nossa intenção é que tenhamos, além dessa caracterização, um estágio de raça definitivo a partir do melhoramento genético dos animais — diz.