Pesquisa avalia grau de tolerância de cultivares de citros a pragas em Sergipe

O ácaro-da-falsa-ferrugem causa danos consideráveis principalmente à qualidade da produção

Adenir V. Teodoro, Carlos R. Martins, Hélio Wilson L. de Carvalho, Walter dos Santos Soares Filho, Luiz Mário S. da Silva, João Emídio dos Santos, Carlos Henrique Ávila Góis
Sanidade Vegetal
 
O Estado de Sergipe forma o segundo maior polo citrícola da região Nordeste, atrás apenas da Bahia. A citricultura é uma das atividades agrícolas mais importantes de Sergipe, sobretudo na região Centro-Sul, que engloba os municípios de Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Indiaroba, Itabaianinha, Itaporanga D’Ajuda, Lagarto, Pedrinhas, Riachão do Dantas, Salgado, Santa Luzia do Itanhy, Tomar do Geru, e Umbaúba. Sergipe possui uma área plantada de cerca de 53.000 hectares de citros (laranja e limão), com uma produção superior a 790.000 toneladas e rendimento médio de 14,76 toneladas por hectare. Apesar da posição de destaque, muitos citricultores têm abandonado a atividade em virtude de diversos problemas, dentre eles as pragas.
 
Diversas pragas atacam cultivos de citros em Sergipe, dentre as quais o ácaro-da-falsa-ferrugem (Phyllocoptruta oleivora), a larva-minadora (Phyllocnistis citrella) e as cochonilhas ortézia (Orthezia praelonga) e escama-farinha (Unaspis citri). O ácaro-da-falsa-ferrugem é considerado a principal praga de citros em Sergipe, causando danos consideráveis principalmente à qualidade da produção. Os frutos adquirem coloração enferrujada quando atacados precocemente ou bronzeada quando infestados tardiamente (Figura 1a). 
 
Adicionalmente às mudanças na aparência dos frutos, o ataque intenso do ácaro-da-falsa-ferrugem provoca um aumento da perda d’água, queda prematura, redução no peso e conteúdo de suco de frutos atacados. A larva-minadora ataca as folhas formando galerias com formato de serpentina e reduzindo a capacidade fotossintética, causando queda de folhas e redução de produtividade (Figura 1b). As galerias abertas pelas larvas servem, ainda, como porta de entrada de doenças. O ataque da cochonilha ortézia causa desfolha e consequentemente o enfraquecimento e redução da capacidade produtiva das plantas (Figura 1c). A cochonilha escama-farinha ataca a casca do tronco e ramos podendo eventualmente causar rachaduras e enfraquecimento das plantas sob infestação severa (Figura 1d).
 
A Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) e a Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA), em parceria com a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe – Emdagro, estão pesquisando novas cultivares copa e porta-enxerto de citros para o Estado de Sergipe. Uma das ações deste projeto é a avaliação da susceptibilidade de combinações de cultivares copa e porta-enxerto ao ácaro-da-falsa-ferrugem, à larva-minadora e às cochonilhas ortézia e escama-farinha, haja vista que diferentes cultivares podem responder de forma específica ao ataque dessas pragas. As avaliações estão sendo conduzidas no campo experimental da Embrapa Tabuleiros Costeiros em Umbaúba - SE (Figura 2) e se baseiam na comparação da população das pragas em diferentes combinações de cultivares copa e porta-enxerto ao longo do tempo.