Demonstrar em diversas regiões do Brasil o andamento da cultura do pinhão manso. Técnicos e parceiros de empresas produtoras de biodiesel são os convidados para apresentar resultados do desenvolvimento da cultura. Essa é a finalidade do II Circuito dias de campo sobre a cultura do pinhão manso, onde serão avaliados experimentos que envolvem desde o espaçamento necessário ao plantio até o sistema de colheita semimecanizada. No entanto, a extração do óleo vegetal dos frutos é a grande questão a ser tratada durante os encontros.
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— O objetivo do cultivo do pinhão é a produção de óleo, que, por ter alguns componentes tóxicos, não é próprio ao consumo humano. É voltado, portanto, para a produção de biocombustíveis ou algum outro uso industrial, como a produção de emulsificantes. Quando se pensa em culturas anuais, embora elas tenham ciclos curtos, normalmente se tem tetos baixos de produtividade. A grande aposta no pinhão manso é que, por ser uma planta perene, possibilita uma maior produção por unidade/área de matéria prima para o biodiesel — ressalta César José da Silva, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste.
Ele ainda comenta que já existem, inclusive, propriedades familiares que possuem mini usinas de extração do óleo e que isso demonstra que a confecção do biodiesel pode ser feita em pequena escala. Outra vantagem para o mini agricultor é o consórcio do pinhão manso com espécies de cobertura do solo, como as braquiárias e o feijão guandu, que vem sendo avaliado desde 2009 pela pesquisa. De acordo com César, o pinhão manso é uma cultura perene e não alcança o máximo da sua produtividade já no primeiro ano. Como os espaçamentos entre as árvores de pinhão são grandes, a ideia é intensificar a exploração da área na propriedade com outras culturas anuais, pensando na geração de excedentes para comercialização de alimentos ou até na produção integrada da pecuária de leite e da ovinocultura com a produção de forrageiras.
— Então, a vantagem é contribuir com a rentabilidade das culturas anuais, pensando a médio e longo prazo no pinhão manso. Outro benefício, principalmente quando falamos das espécies rasteiras é a cobertura do solo, com a proteção deste, a manutenção de umidade, o acúmulo de matéria orgânica e, no caso das leguminosas, a fixação biológica de nitrogênio. E isso tudo favorece o cultivo do pinhão — comenta César, completando que, durante os dias de campo, também serão expostos resultados relacionados à adubação nitrogenada, fosforada e com potássio e o monitoramento e avaliação de pragas e doenças.
Outra tecnologia ainda em andamento que será apresentada é a colheita semimecanizada, que vem sendo desenvolvida com a parceria entre a Embrapa e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a partir de trabalhos de adaptação da derriçadeira para esse processo. Além da colheita, o plantio também será tratado, como a propagação por estaquia. Segundo o pesquisador, o pinhão manso exige luminosidade e um bom sistema de podas, para que a planta alcance o maior número de ramos possível, o que depende das diferentes condições ambientais.
— Hoje temos alguns projetos no Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e na região Norte para a produção do biodiesel a partir do pinhão manso. Temos que lembrar que esses projetos estão em fase experimental, embora já existam áreas relativamente grandes de cultivo. Goiás e Tocantins também possuem projetos experimentais. Estamos sugerindo que, quem deseja conhecer a cultura, instale-a em pequenas áreas, avaliando de acordo com as suas condições. Afinal, a pesquisa ser regionalizada, pois as respostas são diferenciadas, até mesmo dentro de uma mesma região — finaliza César.
O Dia de Campo
O II Circuito nacional dias de campo sobre a cultura do pinhão manso ocorre no dia 20 de janeiro das 8h às 18h, em Dourados (MS), e é fruto da parceria entre a Embrapa Agropecuária Oeste e a Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão Manso (ABPPM). O evento será realizado na Fazenda Paraíso, onde são realizados experimentos para avaliar diferentes espaçamentos, sistemas de poda, doses e manejo da adubação, sistemas de consórcios de pinhão manso com plantas de cobertura e produtoras de grãos e ainda o manejo de pragas e doenças.
O objetivo do circuito é apoiar o esforço do governo brasileiro para promover a diversificação de matérias-primas para biocombustíveis, introduzindo o pinhão manso como cultura consorciada em diversos modelos de produção. A realização do circuito conta com a parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Embrapa Agroenergia.
Para maiores informações, entrar em contato com a Embrapa Agropecuária Oeste pelo telefone (67) 3416-9700 ou com a ABPPM pelo (11) 5523-9413.
