Novas variedades fortalecem vinicultura no Semiárido

As variedades de uva Tempranillo e Petit Verdot se adaptaram bem ao clima e solo da região

Monique Dutra
Uva

O Vale do Submédio São Francisco, no semiárido brasileiro, é a única região do mundo que produz vinhos finos em condições tropicais e também a segunda maior produtora da bebida no País. Para melhorar a produção, novas variedades estão sendo testadas como alternativas para os vitivinicultores, como a espanhola Tempranillo e a francesa Petit Verdot, que se mostraram bem adaptadas às condições climáticas da área. Dessa forma se espera possibilitar uma vinicultura tropical aos níveis de qualidade das zonas tradicionais do mundo.

O plantio de uva na região começou em meados dos anos 1960, com a produção de uva para o consumo in natura. Mas foi durante os anos 1980 que a uva passou a ser usada para a produção de vinhos. Devido à expansão da cultura e aos pedidos dos produtores, a Embrapa instalou, em 2003, um laboratório para contribuir com o desenvolvimento da cultura.

As variedades Vitis vinifera L. Tempranillo e Petiti Verdot foram submetidas a testes de adaptação, fazendo parte de um banco com outras 28 variedades. As duas se mostraram bem adaptadas ao clima e o solo da região. As pesquisas apontaram a viabilidade das variedades serem utilizadas em escala comercial.
 

"Estamos avaliando
 clima, solo, irrigação,
 adubação e até o 
 aroma do vinho"


 Giuliano Gazzieiro,
 Embrapa Uva e Vinho

— Estamos avaliando o clima, o solo, a irrigação, a adubação, a escolha do material, nutrição e até o aroma do vinho. Isso, porque a região possui características particulares como a posssibilidade de duas safras. O mais importante é que são os produtores que definem quando vão produzir, já que não existe a limitação natural do clima e a videira dá frutos de maio a dezembro. Por isso, os vinhos são diferentes dependendo do período de produção — explica o pesquisador Giuliano Elias Pereira Gazzieiro, da Embrapa Uva e Vinho, que desenvolve este trabalho na Embrapa Semi-Árido.

Ainda de acordo com Gazzieiro, os custos de produção são altos, uma vez que os vinicultores precisam usar uma grande quantidade de água do rio São Francisco para irrigar a plantação e, a partir do ano que vem, terão que pagar uma taxa para Agência Nacional de Águas. Por isso, está sendo feito um trabalho para testar o manejo mais adequado para reduzir a utilização de água.

Em pouco mais de três anos, mais 80 hectares foram implantados com a Tempranillo. O plantio de Petit Verdot está em torno de 5 hectares, ainda em estado inicial, mas já apresenta grande potencial. Apesar de, ainda hoje, a uva mais plantada para vinhos tintos ser a Syrah, os vinhos de Petit Verdot têm despertado interesse nos produtores em função de sua qualidade e tipicidade. A tendência é que essa variedade se transforme em uma referência para a região e para o mundo.

As variedades foram plantadas em escala comercial, dando origem a vinhos que estão entrando agora no mercado regional, nacional e até mesmo internacional.