Identificação eletrônica de ovinos cresce no Brasil

Amplamente utilizado na criação de bovinos, software proporciona dados mais precisos sobre as características e o desenvolvimento de cada animal

Breno Fonseca
Ovinos

Uma das grandes dificuldades na ovinocultura é a identificação de animais. Para substituir as tatuagens numéricas feitas nas orelhas e virilhas ou os brincos comumente utilizados para fazer anotações zootécnicas, foi desenvolvido na Europa, a partir de um projeto de 1998, a identificação eletrônica a partir de um microchip instalado no rúmen das ovelhas. Durante o 3º Dia de Campo sobre ovinocultura, realizado pela Embrapa Gado de Corte no dia 26 de novembro, os criadores poderão obter mais informações sobre a tecnologia.

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Gerente da empresa Riviera, Robison Carreira explica que, com o microchip, a coleta de informação será facilitada, já que cada animal possui um número específico. Dentro de uma capsula de cerâmica de peso específico, o bolus intra-ruminal, que custa em torno de R$7, é inserido via oral e é alojado no primeiro compartimento do estômago do animal. A comunicação entre o chip e o software chamado Infovino é feita por onda de rádio frequência. Os dados e até mesmo fotos são enviados para a tela do computador, o que facilita a detecção de doenças, a avaliação de respostas fisiológicas, o controle de ingestão de alimentos, a atividade física e ainda o impacto ambiental causado pelo sistema de produção, promovendo maior e melhor controle da propriedade. Segundo Robison Carreira, a grande vantagem do aparelho é justamente a sua longevidade, pois a vida útil do dispositivo é de até 20 anos.

— Cinco países da União Europeia financiaram o projeto, para que fosse estudado e viabilizado um tipo de identificação que fosse inviolável e insubstituível durante o final dos anos 90. O animal fica com o chip até o momento do abate ou de sua morte natural. Após a morte da ovelha, é possível retirar o dispositivo e inseri-lo em outro exemplar. Por isso o software tem tido uma procura bastante grande por parte dos criadores — explica.

Há sete anos a empresa Riviera está no mercado de distribuição do equipamento. E Robison comenta que durante esse tempo a procura só vem crescendo. Países da América do Sul, como o Uruguai, vem oferecendo forte concorrência na ovinocultura. E, assim, o produtor brasileiro, recorre a tecnologias mais avançadas para tomar suas decisões. Coordenador do Dia de Campo sobre ovinos, o pesquisador Fernando Alvarenga Reis ressalta a importância do ovinocultor requisitar ferramentas técnicas que podem ser agora mais acessíveis.

— Temos muitas informações de validação e adaptação de tecnologias que, muitas vezes, temos dificuldade de passar para os produtores. Esse é o principal objetivo do Dia de Campo. Montamos estações no campo e, em cada uma delas, é abordado um tipo de assunto. Nos anos anteriores, reunimos em torno de 150 pessoas — diz o pesquisador. Além da Embrapa Gado de Corte, o evento tem a participação da Universidade Federal Mato Grosso do Sul (UFMS), da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), da Universidade Anhanguera (Uniderp), da Câmara Setorial Consultiva da Ovino-caprino cultura do Mato Grosso do Sul e o apoio da Associação Sulmatogrossense de Criadores de Ovinos (Asmaco) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo (Seprotur).