Greening cresce assustadoramente nas lavouras

Doença que ataca cítricos se concentra principalmente em São Paulo e no Paraná

Juliana Royo
Manejo

O Greening é uma doença recente que está causando pesadelos nos produtores de cítricos, principalmente de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Os paulistas devem tomar muito cuidado. São Paulo é o maior produtor de citros do mundo inteiro, com mais de 200 milhões de pés somente de laranja doce, o que corresponde a mais de 90% da produção brasileira. Mas pelo rápido poder de disseminação, o alerta sobre o Greening vale para produtores de todo o País.

|BARRA_AUDIO|

Essa doença se caracteriza pelo aspecto amarelado que causa em alguns frutos e nas plantas. As bactérias, causadoras do Greening, vivem nos vasos que transportam a seiva elaborada. O sintoma típico se chama mosqueado, que é uma mistura irregular de verde escuro, com verde claro e amarelo nas folhas. No inverno, elas caem frequentemente. Quando a doença atinge estágio avançado, os frutos ficam tortos, não amadurecem completamente, ficam esverdeados e as sementes secas.

— Estimamos que já tiveram que ser eliminadas quase 6 milhões de árvores por causa do Greening, desde 2004. Hoje existem entre quatro e seis milhões que estão com os sintomas e terão que ser descartadas. É a pior doença de laranjais no mundo todo. São Paulo está enfrentando uma guerra contra o Greening — alerta José Belasque Júnior, do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura).

O alerta deve ser levado a sério pelos produtores, que devem retirar imediatamente das plantações as laranjas, tangerinas e limões contaminados, além de eliminar o inseto transmissor. Segundo Belasques, um dos principais fatores do rápido crescimento da doença é a negligência dos produtores.

— Mesmo que ela continue dando frutos tem que ser retirada imediatamente. A contaminação é muito rápida e atinge a laranja como um todo. Não adianta tirar apenas uma parte. A pior coisa que ele pode fazer é manter as plantas no campo. É importante saber que a bactéria está presente em todas as partes da planta: nas folhas jovens, velhas, no ramo, no fruto, no tronco e nas raízes — explica.

Ainda não há um remédio eficaz contra o Greening, porque os cientistas não conseguiram cultivar as bactérias em laboratório. Várias pesquisas estão sendo desenvolvidas, principalmente em São Paulo, mas por enquanto a única coisa que os produtores podem fazer é ficarem muito atentos às plantações, agirem rápido e tomarem medidas preventivas.

— O produtor deve adotar três medidas sempre em conjunto: plantar mudas sadias, eliminar as plantas contaminadas e combater o vetor transmissor. O estado de São Paulo, inclusive, tem um sistema de criação de mudas em viveiros, que é obrigatório por lei. A cada dois ou três meses ele deve ter equipes de inspetores para percorrer todas as plantas para identificar a doença e, então, eliminar as que estão contaminadas imediatamente. Também é preciso usar inseticidas para o controle do inseto transmissor do Greening — ensina Belasque.

Outra notícia nada animadora é o custo para a prevenção do greening. O conjunto de medidas que devem ser tomadas giram em torno de US$ 1mil por hectare. Como o mínimo de inspeções que o produtor tem que fazer no ano são quatro, o gasto é de US$ 200 por hectare, além do controle do vetor que custa entre US$ 500 e US$ 800 por hectare, ao ano.

"A contaminação
é muito rápida e
atinge a laranja
como um todo"


 José Belasque Júnior,
 do Fundecitros