Ficar de olho na lavoura é o mais eficaz contra pragas

Pulverizações contra ácaros dos citros são desnecessárias e encarecem a produção; monitoramento é melhor forma de controle

Juliana Royo
Manejo

Existem mais de 100 tipos de ácaros que afetam a citricultura. Os principais são o ácaro da leprose, que transmite o vírus da leprose, o ácaro branco, que ataca frutos que estão começando a se desenvolver, o ácaro da falsa ferrugem e os ácaros desfolhadores. Existem algumas formas de combater os patógenos como os controles químicos, mecânicos e culturais. O mais utilizado pelos produtores são as pulverizações químicas feitas muitas vezes sem o monitoramento das pragas e de forma aleatória. O que ocorre é um gasto excessivo e desnecessário com a aplicação dos agrotóxicos, encarecendo o custo de produção dos citricultores, segundo o engenheiro agrônomo Tulio Marques, da Fundecitrus.

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— Temos diversas formas de controle com o controle mecânico e cultural. Só que, infelizmente, o citricultor somente fica no controle químico. Muitas vezes o controle químico é eficiente, mas o produtor não tem a informação de que deve fazer a pulverização somente após ele verificar necessidade após o monitoramento e não ficar fazendo aplicações desnecessárias no pomar, porque vai encarecer muito mais a produção. Fazer o controle preventivo é difícil porque quando a gente fala sobre pragas, a gente tem que fazer um monitoramento e tentar manter a população baixa. No caso das doenças a gente faz uma prevenção para ela não entrar na lavoura, mas no caso de pragas, como os ácaros, a gente tem que pegar o inseto no ato. Fazer o controle preventivo com controle químico e pulverizações fica muito mais caro para o produtor e é desnecessário — explica Marques.

A observação da lavoura para saber o nível de infestação das pragas é a melhor forma de controle, mas o controle cultural pode ajudar bastante o produtor. Plantios de cercas-vivas com plantas que não são hospedeiras dos ácaros, como a coroa-de-cristo, são uma boa alternativa. Espécies muito utilizadas, como o sansão do campo e o jambolão, não devem ser plantadas porque são hospedeiras e favorecem a proliferação dos ácaros da citricultura. Outra medida benéfica é evitar a compactação do solo e entrar menos com a máquina no campo.