O escritório regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) no Médio Amazonas promoverá, de 18 a 22 de março, um curso sobre citricultura com ênfase no limão taiti, cujo plantio há meia década tem despontado na região, sobretudo em Monte Alegre e Alenquer, transformando-se numa das principais e mais lucrativas atividades da agricultura familiar respectiva.
Apenas em Monte Alegre, por exemplo, há cerca de mil hectares do plantio, sob o trabalho de 600 famílias, que chegam a ter lucro de até 60%, mesmo vendendo para atravessadores de atravessadores, os quais levam quase toda a produção para Manaus, no Amazonas.
“E é um mercado em franca expansão. Pensamos que, se a produção for organizada, com a constituição de associações e cooperativas e a programação da colheita, e tecnologias forem aplicadas, os produtores podem eliminar alguns níveis de atravessadores e fornecer para a merenda escolar e para o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos], entre outros caminhos, alcançando um lucro superior a 100%”, indica o supervisor regional da Emater, o técnico agrícola e veterinário Alain Xavier.
Ministradas por especialistas da Emater do escritório local de Capitão-Poço, município do nordeste do estado com grande expressão na área de citrus, as aulas, teóricas e práticas, acontecerão na sede da Escola de Educação Tecnológica do Pará (Eetepa) de Monte Alegre e em propriedades particulares também dali.
Participarão 15 técnicos da própria Emater e 25 de instituições parceiras, como Prefeitura e Fundação Orsa. O objetivo maior é atualizar quanto às novas tecnologias, preparando inclusive para fazer funcionar um packing house, máquina industrial de lavagem, seleção e tratamento de frutos, que a Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri) adquiriu ano passado, para uso comunitário. Nessa palestra específica, em torno de 200 agricultores estarão presentes.
Além disso, o curso pretende orientar quanto ao combate à fumagina, doença que mancha a casca do limão, com forte incidência no Baixo Amazonas.
“Como o limão surgiu na região feito um plantio de fundo-de-quintal, com tentativas muito de boca-a-boca, os agricultores adotaram quaisquer métodos, sem atentar para questões cruciais, como preparo de área, espaçamento, adubação e irrigação, o que repercute na produtividade e no controle de pragas e doenças. Assim, identificamos uma necessidade imediata de melhorar o conhecimento dos técnicos da Emater a respeito das tecnologias possíveis de sistema de plantio e beneficiamento e de inserir os agricultores nesse contexto de profissionalização”, explica Xavier.