Controle de plantas invasoras com o “Campo Limpo”

O processo envolve o uso de herbicidas menos persistentes no ambiente e sem riscos de inalação e deriva para o operador

Margareth Santos
Máquinas e Implementos

Encontrar uma forma de se controlar as plantas daninhas de maneira seletiva, sem comprometer as outras espécies desejáveis na pastagem. Esse foi objetivo do trabalho realizado pela Embrapa Pecuária Sul em parceria com a Grazmec. Plantas daninhas são ervas que podem ser tóxicas e, além de não serem consumidas pelo gado, ocupam o lugar de outras forrageiras que nutrem os animais nos campos.

— Foi desenvolvido um equipamento que permitiu usar o herbicida de maneira mais racional, controlando as gramíneas indesejáveis numa pastagem também de gramíneas, onde a forma convencional de pulverização não era eficiente — esclarece o pesquisador responsável Naylor Bastiani Perez.

As espécies rejeitadas acabam engrossando a pastagem e reduzindo a alimentação. Com alguns protótipos que já realizavam a aplicação de forma localizada, foram produzidos novos equipamentos mecanizados, chegando-se ao modelo definitivo “Campo Limpo”. Esse, já patenteado e disponível no mercado, é puxado por trator e os herbicidas são despejados somente nas plantas mais altas, as daninhas recusadas pelos animais em pastejo, graças a um regulador de altura. Assim é possível fazer o controle e aplicar o herbicida apenas nas plantas invasoras.

Uso racional de
herbicidas com
a Campo Limpo

— Verificando o efeito dos herbicidas nas plantas daninhas jovens e nas pastagens, foi que nós conseguimos avaliar como o equipamento funcionava. A partir da constatação de algumas necessidades, fomos aprimorando até chegar no formato atual. O processo envolve o uso de herbicidas menos persistentes no ambiente e sem riscos de inalação e deriva para o operador, já que o produto não é pulverizado — comenta Bastiani.

O uso do “Campo Limpo” gera um ganho maior na produção animal, evitando perdas com a morte por intoxicação de plantas tóxicas e melhorando o poder nutritivo da pastagem. Pelo fato dos aplicadores só atingirem as daninhas, irão predominar as espécies forrageiras que alimentam melhor os animais. Além das pastagens, em breve o método será ampliado para áreas de fruticultura e espécies de difícil erradicação em lavouras convencionais, desde que haja diferença de altura entre as plantas.