Banana tem mercado potente no Planalto paulista

Dia de Campo apresenta a pequenos produtores técnicas de irrigação e variedades pouco conhecidas mas produtivas e favoráveis ao consumo

Breno Fonseca
Manejo

Realizada tradicionalmente no Vale do Ribeiro, a cultura da bananeira no estado de São Paulo vem ganhando espaço na região do Planalto. Por isso, a Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) promove, em 1° de dezembro, o Dia de Campo Sobre Desempenho Agronômico e Qualidade dos Frutos Cultivares de Bananeiras no Planalto Paulista. O encontro é uma oportunidade de divulgar resultados de pesquisas relacionadas à bananicultura na região.

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A coordenadora do evento e pesquisadora Sarita Leonel explica que o mercado em potencial no Planalto paulista favorece o aumento das áreas de plantio da banana. Além disso, a localização privilegiada da região, de grande importância política e econômica do estado, facilita o transporte da produção, o que diminui custos para os agricultores. A professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu ainda ressalta as vantagens de se investir no cultivo.

— Por ser uma zona com período seco no inverno, temos uma quebra no ciclo de doenças da cultura da bananeira. Isso diminui gastos com pulverização, por exemplo. Outra vantagem é a área estar próxima de mercados consumidores em potencial — enumera a professora, que também comenta que, por ser uma cultura de fácil manejo, se comparada a outras frutíferas, a banana permite retorno econômico num curto espaço de tempo e permite que agricultores iniciantes entrem no mercado da mais consumida pelos brasileiros.

Variedades e técnicas de irrigação

Durante o encontro, os agricultores poderão conhecer os resultados de cinco anos de pesquisa com variedades tradicionais, como prata, nanica e maçã, e outras com potencialidades de uso, como prata zulu, prata graúda, maçã tropical e caipira, que, segundo a professora, são muito produtivas e podem atender aos interesses do consumidor.  

— Queremos oferecer opções dentro da bananicultura para produtores que se interessem ou que já fazem a cultura, apresentando resultados consistentes para que eles possam ter opções em relação à época de colheita. Faremos análises sensoriais com degustadores, para verificar a aceitação diante do consumidor, e mostraremos potencialidades produtivas e genéticas, o caráter fitossanitário e as características de cada exemplar.  

Sendo o maior produtor nacional de bananas, o estado de São Paulo colhe cerca 1,2 milhão de toneladas de frutos por ano, em uma área de 60 mil hectares. E uma parte significativa desse número é representada por pequenos agricultores, que receberão instruções sobre técnicas de irrigação. O professor Edmar José Scaloppi conta que seis alternativas irrigatórias estarão à disposição dos produtores. Ele destaca os sistemas de irrigação de baixo custo como os grandes atrativos do evento. 

— Nas últimas edições da Feira de Agricultura Familiar e Trabalho Rural (Agrifam) mostramos que formas irrigatórias de menor gasto são ótimas alternativas para o pequeno produtor. O sistema de irrigação por sulcos, por exemplo, tem o custo avaliado em R$500 por hectare, enquanto os outros custam de cinco a dez vezes mais. Também chamo a atenção para a fertirrigação e irrigação pressurizada, com o gotejamento artesanal — reforça Edmar.