Para a indução dos estros em cabras, uma das estratégias mais utilizadas é a exposição das fêmeas a machos devido à influência de feromônios, em que as interações sociosexuais são reconhecidas como um dos fatores relacionados à indução. O efeito macho é caracterizado pelo resultado do contato de fêmeas com machos sexualmente ativos em épocas de anestro, resultando assim na ativação e secreção do hormônio luteinizante (LH). Sendo assim, o efeito macho é usado para sincronização e antecipação de estro em cabras próximas ao início da estação natural de acasalamento.
É no momento de receptividade inicial da fêmea que os pesquisadores determinam o início do estro, sendo de grande importância no manejo reprodutivo em regime de monta natural, livre ou controlada, ou de inseminação artificial. Com o objetivo de avaliar a eficiência do efeito macho na indução do estro em cabras da raça boer no semiárido, sob estação de monta, especialistas da Embrapa Caprinos e Ovinos realizaram um estudo sobre o assunto. Foram utilizadas 26 fêmeas da raça boer em regime semi-intensivo. Na indução do estro, as fêmeas não tiveram nenhum tipo de contato com os machos por um período superior a 21 dias e anterior à estação de monta. Através do auxílio de rufiões, o estro foi detectado, sendo considerada em estro a fêmea que aceitasse a monta.
Resultados mostraram que 73% das cabras manifestaram estro clínico após a introdução dos rufiões. Segundo os pesquisadores, a incapacidade das fêmeas que não responderam ao efeito macho está relacionado à raça ou a um fraco estímulo por parte dos rufiões em promover a indução do estro. Eles ainda afirmam que, na pesquisa, as fêmeas não tiveram nenhum contato com os reprodutores antes do início da estação de monta, e sim por um período superior a três semanas. Aquelas que não responderam possivelmente estavam em anestro profundo, sendo este fator o responsável pela não manifestação estral em 27% das fêmeas.