Aprimoramento da predição da fertilidade em touros

A predição da fertilidade em touros são importantes, tendo em vista a evitar casos de insucesso, decorrentes da deficiente capacidade reprodutiva de touros

Redação
Reprodução Animal

Para lidar com a questão da identificação de touros mais férteis antes da temporada reprodutiva, uma das técnicas mais utilizadas é a avaliação andrológica. Ela consiste em um conjunto de indicadores, divididos em integridade genital, função gonadal e atividade sexual.

O exame andrológico é útil para a obtenção de uma boa fertilidade média de touros, porém, existem alguns indivíduos que não apresentam desempenho satisfatório, a despeito de terem sido qualificados como aptos na avaliação a priori através do exame andrológico. Isso representa que ainda existe dificuldade nas predições de fertilidade. 

Diante disso e em que pese as diferenças raciais entre animais e peculiaridades relativas aos examinadores, a Embrapa Pecuária Sul sugere critérios mais flexíveis, que sem comprometer a eficácia do exame andrológico, venham a contribuir para a obtenção de maiores taxas de nascimento associadas a uma menor taxa de descarte de reprodutores.

Os critérios sugeridos podem ser resumidos a seguir. Os animais aptos não devem apresentar lesões clínicas na genitália, e, se as apresentam e forem leves (por exemplo, cicatrizes escrotais e dermatites), pode não haver o comprometimento da função testicular, a ser avaliada pela motilidade, vigor e morfologia espermática.

O tamanho dos testículos não é um fator de descarte, se os testículos são simétricos, o perímetro escrotal é superior a 30 centímetros em animais de 24 meses e os estimadores da função testicular não se apresentam alterados.

O valor preferencial para a motilidade espermática é que esta seja superior a 50% com vigor superior a dois (escala entre 0-5), porém, efetivamente coerente com a porcentagem de espermatozóides normais. Neste aspecto, considerando as distribuições constatadas em alguns estudos, a recomendação é de pelo menos 60% de células normais em uma dada amostra.

Já os indivíduos que não estejam dentro desses padrões devem ser reavaliados, sendo, portanto, considerados, como em avaliação. Após algumas reavaliações, será possível obter um diagnóstico mais preciso de recuperação ou não de cada indivíduo.

A categoria dos inaptos pode inclusive dispensar mais de uma avaliação, quando se constatam alterações grosseiras na genitália ou mesmo físicas (tais como, problemas nos membros ou articulações) acompanhadas ou não de um quadro espermático deficiente.

Por fim, o aprimoramento do exame andrológico e, de modo geral, da predição da fertilidade em touros são importantes, tendo em vista a evitar casos de insucesso, decorrentes da deficiente capacidade reprodutiva de touros, muitas vezes detectada apenas ao encerramento da temporada reprodutiva, quando os prejuízos já são irreversíveis.