Os edulcorantes presentes nas folhas da estévia chamam a atenção pela capacidade de adoçar alimentos e medicamentos. As substâncias não calóricas denominadas glicosídeos encontradas na planta, que compreende em torno de 150 a 200 espécies herbáceas, arbustivas e subarbustivas, garantem ao consumidor uma alimentação mais saudável. Tudo isso por conta dos compostos glucídicos que não são fermentados e nem apresentam toxicidade quando expostos a altas temperaturas, o que pode representar a substituição de produtos sintéticos, como sacarinas, aspartames e ciclamatos.
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A pesquisadora Juliana Rolim Salomé Teramoto, do Centro de Horticultura do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), conta que o gênero estévia foi estabelecido em 1797 e suas espécies são distribuídas principalmente na América do Sul, onde o clima tropical favorece o seu desenvolvimento. Apesar de a China ser, hoje, o país de maior produtividade, as espécies são nativas do continente americano, indo do sudeste dos Estados Unidos à Argentina e Sul do Brasil.
Cultivadas em altitudes que variam de 300 a 1200 metros, em climas tropicais ou subtropicais, quentes e úmidos, as plantas se adaptam à luz do sol e são pouco exigentes quanto à composição do solo. Segundo Juliana Teramoto, o ideal são as terras ácidas, argilosas ou arenosas, úmidas e bem drenadas. O plantio por sementes ou estaquia é geralmente realizado entre o fim de julho e setembro, de forma que podem ser feitos cortes até o mês de abril do ano seguinte, quando então as sementes oferecem as melhores mudas.
— A melhor época de transplante para o campo é durante a primavera, período que oferece maior desenvolvimento vegetativo à planta. Normalmente, recomendamos de 80 a130 mil mudas por hectare, num espaçamento de 15cm na linha e 50cm entre linhas. Após o plantio, é interessante cobrir o solo com mato seco, visando a manutenção da umidade. Exige-se irrigação frequente para manter os teores numa faixa de 60 a 80% de umidade — aconselha a pesquisadora, completando que a planta responde bem à adubação nitrogenada, com o período de maior absorção dos nutrientes entre 60 e 80 dias após o agricultor levar as mudas ao campo. Juliana ainda comenta que o ciclo de crescimento da estévia é de 90 dias, período em que atinge o máximo de sua produtividade, podendo então ser colhida.
No início do florescimento, a planta cortada fornece de uma a cinco toneladas de folha seca por hectare ao ano. O preço atual pelo quilo do material é de U$1, o que rende ao agricultor U$5 mil anuais e uma lucratividade esperada de 60% de renda bruta. Porém, esse valor pode variar conforme o teor de impureza do lote e dos teores de edulcorantes, que, em geral, variam em torno de 10%, mas que, com as recentes pesquisas, chegaram a 17%.
— O mercado de produtos diet ou light cresce em 10% ao ano. No Brasil, o consumo de açúcar em 1995 era de 62kg per capita. Em 2007, esse valor baixou para aproximadamente 52kg, ou seja, a procura por menor número de calorias, pela qualidade e saúde do consumidor tende a crescer. Essa é uma previsão para que o produtor veja que esta é uma possibilidade de comercialização — alerta a pesquisadora do IAC, concluindo que Paraná e Rio Grande do Sul são as regiões de maior expressividade produtiva devido à proximidade entre as lavouras e as empresas extratoras.
Um breve histórico
Os guaranis conheciam a estévia por nomes como erva-doce, erva-de-açúcar ou erva-de-mel e as usavam para adoçar medicamentos ou mate. Em 1905, foi feita a primeira classificação botânica da espécie pelo naturalista paraguaio Moisés Bertoni, o que possibilitou, em 1908, o isolamento do princípio adoçante da planta, que, na década de 20, recebe o nome de esteviosídeo. Já durante os anos 70, o gênero é levado ao Japão, o que deu impulso ao processo de extração e produção de derivados, culminando na industrialização. E, finalmente, em 1989, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveu métodos de cristalização das substâncias edulcorantes, o que propiciou a inauguração da primeira indústria brasileira especializada no processamento das folhas.
Para maiores informações sobre a cultura da estevia, o produtor pode adquirir o livro “Produção da estévia – do plantio à comercialização”, lançado pelo IAC. Basta entrar em contato pelos e-mails [email protected] ou [email protected] ou pelo telefone (19) 2137-0600.
