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     02/07/2022            
 
 
    

 A Amazônia tem se notabilizado pela rápida colonização agrícola, com destaque para os estados do Pará, Acre e Rondônia. Nesse contexto, Rondônia se notabiliza por ocupar posição de destaque, quando comparada com outros estados da Região Norte do país. É o maior produtor de café, o segundo de feijão e de soja, o terceiro de arroz e o quarto maior produtor de banana.

Embora essas culturas estejam em franca expansão, há atualmente o risco de que pragas quarentenárias ausentes e presentes entrem em Rondônia e comprometam a produção agrícola. Consequentemente, torna-se essencial proteger as áreas de produção contra a entrada de novos patógenos e conter os já existentes bem como reduzir a sua incidência no Estado de Rondônia.

Na cultura do cafeeiro, a coffee berry disease, causada por Colletotrichum kahawae, encontra-se na lista das pragas quarentenárias ausentes. Esta doença está amplamente distribuída na África e também em Cuba, tendo sido relatada perda da ordem de 75% da produção de café no Quênia, mesmo quando feitas tentativas de controle químico. Há grande risco de disseminação da doença através de sementes infectadas. A seleção de cultivares resistentes que melhor se adaptem ao cultivo em Rondônia pode ser uma estratégia interessante, visando antecipar a chegada do patógeno na região.

A murcha-do-cafeeiro, causada por Gibberella xylarioides, é outra doença importante que, apesar de ainda não ocorrer no Brasil, já está presente em parte da América Central. Além de ser capaz de sobreviver saprofiticamente no solo, o patógeno também é problema em cultivos de banana, algodão e tomate, o que eleva seu potencial de risco para a agricultura da Região Norte.

Na cultura do feijoeiro, a Pseudomonas savastanoi pv. phaseolicola, causadora do crestamento-bacteriano-aureolado, está entre as pragas quarentenárias mais importantes, haja vista a capacidade destrutiva, a facilidade de disseminação e a ampla distribuição geográfica do patógeno. A doença encontra-se muito próxima do Brasil, nos países que fazem fronteira, como Venezuela, Colômbia, Peru e Suriname. É considerada praga quarentenária A1 de risco máximo para o Brasil e, devido à sua proximidade com a fronteira de Rondônia, é de alto risco para a produção de feijão no Estado. As perdas registradas decorrentes dessa doença já ultrapassaram 40% em estudos realizados nos Estados Unidos na década de 1970. O controle químico tem baixa eficiência e a busca de variedades resistentes pode ser uma medida viável.

Arroz e soja também podem ser afetadas por importantes doenças que ainda não ocorrem no país. No caso do arroz, destacam-se Heterodera oryzicola, H. oryzae e H. sacchari, Xanthomonas oryzae patovares oryizae e oryzicola, consideradas pragas-chave pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Nematóides do gênero Heterodera, por outro lado, além de serem patógenos da cultura do arroz, causam sérios prejuízos em Brachiaria decumbens e Cynodon dactylon, espécies comumente cultivadas nos pastos de Rondônia.

A soja, por sua vez, apresenta o maior risco potencial de entrada de novas doenças pela forte expansão na área de produção – especialmente no Cone Sul do Estado de Rondônia – e por possuir uma gama considerável de patógenos classificados como pragas quarentenárias A1, dentre os quais se destacam Heterodera trifolii e Phytophthora megasperma f.sp. glycinea.

Em função do risco a que está exposta a agricultura rondoniense e amazônica por extensão, torna-se necessário elaborar programas de análise de riscos dessas doenças e pragas tanto local como nacionalmente. A avaliação de risco é o elemento-chave para determinar se uma praga é potencialmente danosa ou não. Segundo especialistas, para elaborar uma boa análise de risco de pragas é necessário determinar alguns aspectos como: identificar as pragas quando e onde chegam; estimar as consequências da entrada da praga; determinar a probabilidade da ocorrência da praga na região; elaborar as conclusões e descrever as incertezas; identificar as opções de mitigação; avaliar as opções de mitigação quanto à eficiência, viabilidade e impacto; elaborar recomendações e descrever as possíveis incertezas; e, por fim, decidir quanto ao controle.

Artigo publicado originalmente em 27/01/2011

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